O PROBLEMA

Vivemos hoje em um quadro de crescente polarização e tribalismo ideológico, e isso afeta esferas da nossa vida social que vão muito além da política. Não só em Brasília, mas também escolas, universidades, empresas, igrejas, famílias e grupos de amigos – em todos esses ambientes encontramos adversários ideológicos cultivando cada vez mais animosidade uns pelos outros. Embora muitas vezes possamos considerar justificada a intransigente defesa dos nossos valores e opiniões, a polarização cobra o seu preço: laços de afeto são rompidos, redes colaborativas são desfeitas, discussões se tornam tóxicas e improdutivas. Frente a esse quadro, muitos se veem forçados a escolher entre dois caminhos: ou se distanciar por completo das discussões importantes do dia, ou se enquadrar em um molde ideológico pré-definido para se juntar ao debate.

Na medida em que campos discordantes se isolam uns dos outros, perdemos o hábito de nos expor a ideias e perspectivas que desafiam nossas narrativas favoritas. Nos habituamos a enxergar a discordância como sinal de deficiência moral e/ou intelectual, dificultando a criação dos elos necessários para comunicação efetiva. Ao invés da argumentação, recorremos ao exibicionismo moral e outras formas de sinalizar que fazemos (ou não fazemos) parte de um determinado grupo. Na medida em que nos tornamos menos hábeis em comunicar nossos pontos de vista para além dos nossos próprios círculos, limitamos o alcance das nossas ideias e assim colocamos em risco o sucesso dos nossos projetos.

Quando ideias não são discutidas por seu mérito mas sim como marcadores de pertencimento grupal, muitos se tornam relutantes em expressar seus pontos de vista por medo de serem excluídos ou rotulados. A autocensura resulta em uma atmosfera desfavorável tanto para a criação de elos sociais quanto para a circulação e aprimoramento de ideias. Perdemos a oportunidade de ouvir e compreender pontos de vista alternativos, assim como a de expressar e aprimorar nossos próprios pontos de vista. Nos privamos de um termômetro realista do clima de opinião, correndo o risco de acreditar em falsos consensos e adotar noções enganosas sobre o que pensam e sentem os nossos pares. Deixamos de escutar e refletir sobre perguntas importantes que poderiam colocar nossas ideias à prova, e adquirimos pouca experiência em defender nossos ideais por outros meios que não a pressão social.

O Projeto Prisma entende que indivíduos, instituições e comunidades muitas vezes carecem das ferramentas adequadas para enfrentar esses desafios, e  isso limita o seu desenvolvimento em várias frentes. Nossa plataforma é voltada para atender a essa crescente demanda de modo a ajudar comunidades e indivíduos a navegar ambientes polarizados em vista de terreno comum, buscar tirar proveito da diversidade de perspectivas presente em suas comunidades, fomentar a discordância construtiva e criar espaços onde ideias possam ser compartilhadas e discutidas sem receio de rótulos ou censura. Com ferramentas respaldadas pela experiência e embasadas em pesquisas multidisciplinares, esperamos auxiliar o florescimento intelectual e psicológico das nossas comunidades minimizando os efeitos tóxicos da polarização e tribalismo ideológico.